O que muda na vida adulta quando temos um hobby criativo ativo?

 

O que muda na vida adulta quando temos um hobby criativo ativo?

Há algum tempo atrás, parecia que o dia era mais longo… você não acha?

As pessoas trabalhavam, estudavam, se divertiam, iam à casa de amigos. Ouvíamos música no toca-discos junto de amigos... As crianças brincavam na rua sem tanto medo: pega-pega, esconde-esconde, amarelinha, pular elástico, queimada, taco (esse eu era craque), futebol de botão (eu também mandava bem), bolinha de gude, peão Alguns passavam na casa de parentes e de amigos para um café da tarde — e demorava para o sol se pôr, hein!

A gente jantava. 😅

Tudo isso tinha um gostinho especial.


Ahhh… os jogos de tabuleiro. Jogo da Vida, Banco Imobiliário… quem nunca jogou War não sabe o que é ficar com a bunda quadrada depois de horas no chão. 😂

Hoje, muita gente não aguenta ler cinco minutinhos.
Por isso esta postagem vai ser rápida.
Porque alguns já foram embora… estou enrolando demais, eu sei. kkkkk

Mas o que a gente quer mostrar com essa introdução meio nostálgica é algo simples e importante: 

O hobby é tão essencial para o ser humano quanto a banana é para o macaco.

Pode parecer exagero, mas não é.

Com o avanço da tecnologia, muitos dos nossos antigos hobbies ficaram “ultrapassados”. Ou pelo menos foi isso que nos disseram. Tudo ficou rápido demais, produtivo demais, útil demais. 

Só que o cérebro humano não evoluiu na mesma velocidade dos aplicativos.

O médico Dr. Drauzio Varella já comentou em diversas ocasiões que atividades feitas por prazer, sem cobrança de desempenho, ajudam a reduzir o estresse, melhorar o humor e proteger a saúde mental. Não é luxo, é necessidade.


O psiquiatra Dr. Augusto Cury vai pelo mesmo caminho quando fala que a mente humana não adoece apenas pelo excesso de trabalho, mas principalmente pela falta de momentos de prazer, contemplação e criação.

Em outras palavras: não é frescura. Não é perda de tempo.

É sobrevivência emocional.

Quando foi que a gente parou de fazer coisas só porque gostava?

Na infância, ninguém perguntava se desenhar dava dinheiro.
Se brincar era produtivo... Se montar algo com as mãos era “útil”.

Hoje em dia, tudo precisa justificar a própria existência. Se não gerar resultado, é descartado. 

E é aí que o hobby entra: como um pequeno ato de rebeldia silenciosa.

Um hobby criativo ativo — desenhar, pintar, escrever, tocar um instrumento, cozinhar sem pressa, montar algo com as mãos — devolve ao adulto algo que ele perdeu no caminho: o direito de errar sem culpa.

Você não precisa ser bom.
Não precisa postar.
Não precisa monetizar.
Só precisa fazer.

O que muda, na prática?

Muda mais coisa do que a gente imagina. 😦

A rotina fica menos pesada.
O estresse encontra uma válvula de escape.
O pensamento desacelera.
A atenção melhora.

Não porque o hobby resolve problemas, mas porque ele cria espaço. Espaço mental. Espaço emocional. Espaço interno.

Quem viveu os anos 80, 90 ou anos 2000 sabe: a gente não tinha mais tempo. A gente tinha menos distrações. E isso fazia toda a diferença.

Hoje, o mundo grita o tempo todo. As notícias são em tempo real.

 O hobby é aquele lugar, aquele canto silencioso onde ninguém grita, ninguém cobra performance.

 Já percebeu que em certos locais, tais como shopping, lojas, até alguns bares não existe relógio? 

A ausência de relógios em shoppings, lojas e muitos bares é uma estratégia de psicologia do consumidor e marketing planejada para que os clientes percam a noção do tempo, permaneçam mais tempo no local e, consequentemente, consumam mais. Esse ambiente "atemporal" é projetado para evitar que preocupações com horários externos interrompam a experiência de compra ou lazer.

Se você ainda não criou um espaço assim em casa, não sabe o tempo que está perdendo...

Alguns talvez digam: “Mas eu não sou criativo…”

Essa talvez seja a frase mais repetida da vida adulta. E uma das mais injustas.

Criatividade não é dom. É músculo. E músculo parado atrofia.

Criatividade não é fazer algo bonito. É fazer algo seu, pra você mesmo!

Como diria o filósofo e educador Mário Sérgio Cortella, criatividade não nasce pronta, ela se constrói no exercício cotidiano do pensar, experimentar e tentar de novo.

Ou seja: ninguém nasce criativo. A gente se torna.

O verdadeiro ganho não é o hobby: É a vida em volta dele.

Quem mantém um hobby criativo ativo não está tentando voltar ao passado. Está tentando equilibrar o presente.

Não é nostalgia. É maturidade, é saúde!

É entender que viver bem não é preencher todo o tempo com obrigação. É deixar espaços vazios de propósito. Porque é nesses espaços que a cabeça descansa, o coração respira e a vida faz sentido de novo.

Talvez o dia não tenha ficado mais curto.

Talvez a gente só tenha parado de reservar um pedaço dele para nós mesmos.

E, quem sabe, seja exatamente aí que tudo começa a mudar.

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